Projeto da ABIESV dá selo de segurança para o comércio

O Loja+Segura prepara as lojas para a retomada das atividades com as recomendações da Organização Mundial da Saúde

   
Comunicação CDL Macapá  


Desde que a pandemia do novo coronavírus começou a dar as caras no Brasil, provocando o isolamento das pessoas e afetando os pequenos varejistas com a suspensão das atividades do comércio, a Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (ABIESV) tem se prontificado a lançar ideias e criar soluções para socorrer esse grupo, certamente um dos mais afetado nessa crise.

O programa “Apoie o Pequeno”, lançado pela associação em abril, que permite a criação de lojas virtuais de forma fácil, rápida e gratuita, por exemplo, surgiu para amparar o comércio que ainda não é digitalizado. Em outra frente, a ABIESV também vem se mostrando eficiente no que diz respeito à mobilização de entidades para atenuar os efeitos da crise. Ela já conseguiu angariar apoio de organizações como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Associação Brasileira da Industria Têxtil (ABIT), a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).

A última empreitada da associação está saindo do forno e já está antecipando a tão aguardada reabertura das lojas no país. Trata-se do projeto Loja+Segura, um guia para quando o varejista reabrir sua loja que segue as diretivas da Organização Mundial da Saúde e as melhores práticas adotadas nos mercados que já reabriram seu comércio. Mais do que um simples roteiro de higiene, o Loja + Segura pretende ser um selo de qualidade e compromisso do estabelecimento com as práticas mais modernas de limpeza e cuidados com o cliente.

Conversamos com o presidente da ABIESV, Marcos Andrade, para saber detalhes do projeto e entender como o varejista brasileiro percebe esse momento de retorno. Confira a entrevista!


Como a Abiesv reagiu à chegada do coronavírus?

A pandemia nos pegou a todos de surpresa com relação aos efeitos que causaria em nossas vidas, seja no âmbito pessoal ou profissional. Creio que uma reação simples, mas importante, foi a de estreitar a comunicação entre os associados. Montamos grupos de WhatsApp para compartilhar informações, fizemos pesquisas para entender a realidade e percepção dos participantes e como ele está posicionado para enfrentar o momento. Com essa ferramenta, divulgamos as melhores práticas para ultrapassar os obstáculos iniciais e abrimos um canal para que todos se beneficiem das práticas que se mostravam mais eficientes. Temos a convicção de que é um tempo de colaboração para que todos cheguemos vivos no fim disso tudo que está acontecendo.


É uma mentalidade associativista, certo?

Claro! Após olharmos para nossos parceiros, especialmente os pequenos varejistas, que muitas vezes não têm acesso às soluções nem ferramentas para reagir rapidamente, vimos que, infelizmente, ele não tem direito ao erro, já que errar pode custar muito caro, inclusive sua sobrevivência. Por isso acho que nós, associações como a ABIESV, o CNDL e os CDLs locais, temos um papel fundamental nessa crise. Gostei muito da campanha de valorização do associativismo produzida pela CNDL. Eu acredito que o empreendedor é o melhor amigo do outro empreendedor, e que o compartilhamento das experiências, erros e acertos é uma forma eficiente de apoio. Nas diversas entidade em que atuo e atuei, recebi conselhos e informações valiosas que me ajudaram a atingir resultados e evitar fracassos. Sou muito grato a cada um destes colegas e tento repetir este comportamento.


O varejo brasileiro estava preparado para essa situação que estamos atravessando?

De modo geral não. Se falarmos dos pequenos varejistas, certamente não. As empresas não têm um plano de contingência nem para questões mais comuns como, por exemplo, um incêndio, que daria as diretrizes de quem vai para onde, que recursos usar, etc. Quem planeja antes, mesmo que não seja 100% aplicável, reage mais rápido. Claro que ninguém poderia antecipar um cenário destes, mas muitas ações poderiam ser aproveitadas, como por exemplo onde as pessoas trabalhariam, que recursos necessitariam e quem é fundamental para que a atividade permaneça aberta. No entanto, sabemos bem que a realidade do pequeno é de se concentrar na operação do dia-a-dia, resolvendo questões da operação e com pouco tempo na estratégia e futuro do negócio.


Você está se referindo ao grau de digitalização do comércio?

Sim! Como no caso dos planos de contingência, o processo de digitalização do negócio fica sempre para o outro dia, e ainda há uma mentalidade de que a loja online é rival da loja física. Nada mais distante da realidade. Elas são aliadas! São somente formas diferentes de falar com seu cliente por onde ele quiser falar com você, nada diferente por exemplo de eu falar com você pessoalmente, depois por telefone, depois por WhatsApp. Continuamos a ser eu e você, apenas nos comunicamos pelo meio mais conveniente em cada momento.


Daí surgiu a ideia do projeto Apoie o Pequeno?

Exatamente! Fizemos uma pesquisa com o IEMI – Inteligência de Mercado e descobrimos que 90% dos varejistas de moda não tinham presença digital. Este lojista quando teve sua loja fechada ficou com as contas e sem as vendas! Por isso nossa primeira iniciativa foi lançar o programa Apoie o Pequeno, no qual oferecemos a todo e qualquer varejista uma loja operacional e gratuita, que varejista monta em poucas horas e já pode sair vendendo. Eu mesmo fiz uma para testar e funciona de verdade. É uma plataforma da Vtex, líder em comercio eletrônico na América Latina e já tem mais de um milhão de lojas cadastradas.


E como surgiu a ideia do Loja + Segura?

Pensamos no momento pós pandemia. Entendemos que não basta a loja estar aberta. O cliente tem que se sentir seguro para entrar no estabelecimento. Em países que as atividades comerciais já estão voltando ao normal, foi constatado que o tempo de permanência nas lojas caiu enormemente, o que demonstra que o cliente está indo aos estabelecimentos por necessidade, não para curtir a experiência de compra. Nesse momento, ele tem medo de ficar em ambientes fechados. Em nosso setor já se fala de uma nova tendência, o Safe Design, que é o redesenho da loja para passar visual e sensorialmente o cuidado com a segurança e saúde dos frequentadores do ambiente, sejam os colaboradores ou os clientes. A iniciativa da Loja + Segura é justamente mostrar aos envolvidos o cuidado que o estabelecimento tomou para recebe-los em segurança, usando todas as melhores práticas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde e pelos lojistas que reabriram em outros mercados.


E ele aplicável para qualquer tipo de loja?

Tudo é organizado de uma forma prática e acessível para qualquer tamanho e tipo de loja. Basta o lojista entrar no endereço www.lojamaissegura.com.br e se cadastrar. Existe um checklist para que o lojista possa seguir passo a passo as medidas que vão transformar o ambiente em uma Loja + Segura para seus funcionários e clientes. Lembrando que o funcionário também tem que se sentir seguro para trabalhar e transmitir segurança. O projeto contempla tudo isso e concede um selo para colocar na vitrine, loja e mídias sociais. Cada loja receberá seu selo com um QR Code exclusivo que o cliente pode escanear e comprovar que a loja seguiu as recomendações. O bacana é que o consumidor tem um papel importante nesse processo, porque o sistema permite que o cliente possa denunciar o estabelecimento, caso o lojista esteja descumprindo os compromissos que assumiu.


Hoje, do ponto de vista da segurança dos clientes, os lojistas estariam prontos para reabrir as portas?

Creio que de forma geral a maioria precisa de adaptações simples para reabrir. Sinalizações e procedimentos novos como fornecer álcool gel, medir temperatura na entrada da loja, definir lotação do espaço de compra e fazer esse controle. Coisas que parecem simples, mas que dependem da implantação de uma disciplina. Neste ponto, o checklist do Loja + Segura ajuda muito.


O que tem na cartilha que os lojistas ainda não sabem?

Acredito que a maioria das ações já devem ser do conhecimento dos lojistas, no entanto ele tem recebido essas informações de diferentes lugares e sem um plano ordenado de trabalho. O desejo que temos é de ter um plano organizado para ação prática do lojista, ao fim do qual, se seguido, permitirá um ambiente seguro para ele, seus colaboradores e clientes.


O guia oferece uma espécie de selo de qualidade para o lojista. Como isso é feito?

O Selo da LOJA + SEGURA será conferido aos varejistas que completarem o checklist. Ao checar o selo com o QR Code, o cliente será levado à uma página com os dados da loja e seu status de Loja + Segura ou não. Nesta mesma página há um botão para a ouvidoria do projeto caso o cliente queira informar de alguma inconformidade. Se essa inconformidade for grave a loja poderá perder o direito ao uso do selo. Creio que o programa é muito importante para o primeiro momento de insegurança, espero realmente que no futuro ele se torne irrelevante e possamos frequentas as lojas com o prazer que a experiência de compra proporciona, sem medo.


O senhor acredita que essas serão práticas permanentes nas lojas?

Só o tempo irá responder isso. Se tivermos uma vacina eficaz, muitas práticas perderão o sentido, mas se a pandemia permanecer com novos surtos, os processos terão que se manter.


Como que a cartilha se integra ao projeto Apoie o Pequeno? Ou são coisas totalmente independentes?

A cartilha é um desenvolvimento a partir das necessidades apontadas no projeto Apoie o Pequeno. São projetos complementares, mas as soluções atendem a diferentes necessidades. Vai ter varejista que vai precisar dos dois, e outros que precisarão de somente uma solução. Já temos outro projeto que é o Consultório de Visual Merchandising Virtual (VM), que é uma consulta gratuita de um especialista de VM para o varejista incrementar o visual e as vendas da sua loja. Esse projeto já está na agulha e sai nos próximos 15 dias. São muitas iniciativas que requerem ação dos nossos diretores e parceiros para serem implementadas, mas o espírito do momento é: “Se colaborarmos uns com os outros, saímos bem deste momento de cries”. Eu creio nisso. E creio que a ABIESV, junto com parceiros como vocês da CNDL, está cumprindo bem o seu papel.

Conheça o Loja + Segura no site: www.lojamaissegura.com.br


Fonte: CNDL